Dispositivos eletrônicos para fumar não devem ser considerados alternativas ao cigarro comum, aponta especialista | Créditos: Getty Images

Cigarros eletrônicos não combatem ou diminuem o vício e trazem riscos para a saúde

POR Redação 10 de abril de 2022
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Pneumologista do Sistema Hapvida afirma que os dispositivos eletrônicos para fumar não devem ser considerados alternativas ao cigarro comum, e que também possuem substâncias tóxicas 

Com diversos aromas e sabores, ausência do incômodo odor típico e fumaça do tabaco, além de uma aparência mais tecnológica, quase inofensiva. As características dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), chamados de cigarros eletrônicos e vaporizadores, explicam, em parte, a rápida popularização desses dispositivos entre jovens fumantes esporádicos e entre àqueles fumantes declarados, que lutam contra o vício na nicotina e acreditam inalar menos toxinas. 

Diferente da versão de papel, que queima por combustão, o modelo funciona à base de vaporização. O dispositivo contém um líquido que, ao ser aquecido, gera o vapor aspirado e exalado pelo usuário. E segundo os fabricantes, essa seria a razão que tornaria os eletrônicos menos prejudiciais se comparados aos tradicionais. Porém, especialistas e médicos discordam e dizem que esse tipo de cigarro traz diferentes malefícios à saúde e podem causar doenças respiratórias, como o enfisema pulmonar, doenças cardiovasculares, dermatite e câncer.

Recentemente, um cigarro eletrônico explodiu na boca de um músico de 45 anos no Distrito Federal, no momento em que ele começa a fumar. Apesar das faíscas e explosão, o músico não ficou ferido.  Casos desse tipo trazem novamente à tona a discussão sobre a utilização desses cigarros eletrônicos. 

Efeitos à saúde

Segundo o médico pneumologista do Sistema Hapvida, Pedro Luiz Pompeu da Silva, os denominados cigarros eletrônicos ou vapes são mecanismos que não utilizam combustão do tabaco, e sim a produção de um vapor por corrente elétrica, o que, a indústria alega que seria menos nocivo à saúde. Porém ele refuta essa teoria, já que um dos componentes é a nicotina, que é nociva e causa dependência.

“Os efeitos sobre o organismo são vários, lembrando que se levou mais de 40 anos para se estabelecer o nexo causal entre cigarro e as várias doenças decorrentes do tabagismo, sendo que atualmente a DPCO (doença pulmonar obstrutiva crônica), que tem relação direta com o tabagismo é a terceira causa de morte no mundo, matando em média por ano 3,2 milhões”, completa.

O pneumologista explica que várias substâncias tóxicas já foram detectadas no vapor dos cigarros eletrônicos, tais como carbonilas voláteis, radicais livres de oxigênio, furanos e metais como níquel, chumbo e cromo.

“Os principais constituintes dos cigarros eletrônicos são glicerina vegetal, propilenoglicol, nicotina e agentes flavorizantes para dar sabor”, afirma. 

O médico do Sistema Hapvida também explica que inúmeros estudos já mostraram que a transição para o cigarro eletrônico na realidade diminui as chances de parar de fumar, quando comparada a métodos já estabelecidos de cessação do tabagismo, com técnicas e escolhas mais saudáveis. 

Principais riscos associados 

Dentre os malefícios do uso do cigarro eletrônico, o pneumologista enumera a diminuição do batimento ciliar e desregulação imunológica na cavidade nasal; expressão proteica alterada na superfície pulmonar; desregulação do batimento ciliar dos brônquios, responsáveis pela eliminação de partículas indesejáveis; toxicidade às células do pulmão; aumento da produção de citocinas inflamatórias; aumento da mucina MUC5AC, substância diretamente responsável ao aparecimento do enfisema pulmonar; alteração na expressão de mais de 60 genes, cujas consequências ainda hoje estamos entendendo; aumento da rigidez dos vasos sanguíneos e diminuição das trocas gasosas nos alvéolos. 

“Sabe-se que 15 minutos de vaping é o suficiente para fazer cair os níveis de oxigênio no sangue; entre outros”, conclui Pompeu. 

Leia mais: Alopecia areata: saiba o que é e como funciona o tratamento

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