Vestir para sentir

Em meio ao cenário estabelecido pela pandemia, acredito que essa é a hora dos “res”. Ressignificar, reinventar, ressurgir! Essas são as palavras de ordem em tempos tão difíceis. Cito um exemplo histórico, quando a Europa vivia entre os escombros da Segunda Guerra Mundial: Christian Dior viu, na crise pós bombardeio, a oportunidade de lançar seu nome no mercado fashion, anunciando a “Era do New Look”, na qual criou um visual com amplas saias e cintura marcada – bem femininos, como uma maneira de se despedir da silhueta sóbria e austera dos dias de luta. 

É fato que grandes mudanças nos obrigam a sair da zona de conforto e o lado bom disso é que, muitas vezes, para melhor! Mas agora eis a questão que surge como o marco de uma nova década: como a moda continuará sendo surpreendente em 2020, após essa guerra biológica devastadora? Talvez ninguém tenha a resposta final, pois o nosso jeito de se vestir e se comportar está em construção para esse novo normal que vamos habitar. 

Mariana vesta Casa Soho

A forma com a que nos vestimos sempre funcionou como uma linguagem visual para dizer quem somos e a que viemos no mundo externo. Em tempos nos quais o isolamento social é preciso, o vestido must-have do momento perde seu lugar para o conforto dos pijamas e a moda precisa imprimir o que nós queremos sentir. 

É um aviso não só para indústria têxtil, mas para o planeta. É hora de desacelerar e tomarmos o fôlego de maneira mais consciente. E não falo só do consumo, mas também na maneira de pensar nos processos, sejam eles de confecção, varejo ou mercado de comunicação. 

Nesse editorial, devido às circunstâncias, me coloquei no papel de stylist, modelo, maquiadora e cabelereira (na medida do possível, claro!), sentindo na pele a importância que cada processo tem em um trabalho de equipe. Dividi minha experiência com a fotógrafa de moda Flávia Mansur, que de maneira colaborativa e consciente – fotografando em casa e seguindo todas as medidas de segurança –, me clicou usando looks de marcas locais, as quais também se posicionaram sobre o que sentem e o que acreditam daqui pra frente.

Mariana veste VerDeFatto

“Que estamos vivendo um momento histórico ninguém tem dúvidas! Um momento que nos fez desacelerar e voltar nossos olhos para o hoje. Se pararmos para pensar, o universo da moda sempre teve o olhar voltado ao futuro: novas tendências, próxima estação, qual o comportamento do consumidor diante do que será apresentado… Com a pandemia, qualquer programação se tornou instável! Não ditamos mais o que vem por aí, mas aprendemos que a colaboração é o caminho. As consequências dessa mudança já estão presentes. Tivemos que aprender a nos tornar seres mais solidários e conscientes. Meu desejo é que essa forma de comportamento se estenda à moda. Enquanto isso, a natureza está reagindo rapidamente a nossa pausa e espero que as marcas reflitam e se posicionem ao criar peças que não agridam o meio ambiente e, onde for inevitável, que exista a compensação, mas que venha, finalmente, uma transformação.” Flávia Mansur, fotógrafa de moda 

“Estamos sentindo uma urgência em repensar a forma como vivemos e isso vai ao encontro da forma que olhamos para a moda consciente.  Esse momento está escancarando a importância de olharmos para o outro. Em todos os sentidos, vivemos pensando em proteção e, daqui para frente, acredito que isso resignificará a forma como olhamos a nossa vida dentro de uma esfera coletiva. Aprendemos de uma forma dura a dar valor ao comércio local, às pessoas que estão por trás dos serviços que consumimos e notamos, mais que nunca, que vivemos numa rede e que todas as pessoas que a compõem importam. A moda consciente já trilhava tal caminho e continuará nesta luta pelo trabalho digno, seguro e pelo meio ambiente. Mas, talvez agora, esse caminho comece a ser trilhado por várias frentes”. Carolina Kotchetkoff, cientista ambiental e proprietária da VerDeFatto – Estilo Sustentável

Mariana veste Casa Soho e sandálias VerDeFatto

“A pandemia e o novo tempo que estamos vivendo nos fez enxergar melhor a importância do contato com o outro, de uma vida mais tranquila e um consumo mais consciente. O mercado colaborativo já vem buscando esse estilo de vida há algum tempo. Na contramão do modelo ‘fast fashion’, o colaborativo foca no ‘slow design’, com peças feitas à mão, itens únicos e limitados, criados por artesãos brasileiros. A ideia é saber como e por quem foi feita a peça que você está adquirindo, valorizar o pequeno e dar espaço a quem produz. Viver em quarentena nos mostrou o quanto é importante olhar com carinho para quem está a nossa volta e dar um significado ao que consumimos. Esse é exatamente o conceito de um espaço colaborativo”. Camila Rocha, publicitária e proprietária Casa Soho – Espaço Colaborativo

Mariana veste tricô Golfe Class

Mariana veste tricô Golfe Class

“Eu vejo a moda mais consciente após a pandemia. Os nossos valores e costumes estarão mudados e nada será como antes; vamos repensar o modo de nos vestir. Acredito que o olhar do consumidor vai se voltar mais para o comércio local, o que fomentará a economia na cidade. A moda é pura experiência e cada vez mais precisa representar o estilo de quem usa e proporcionar conforto no vestir”.  Vanessa Hercules, proprietária da Golfe Class

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