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Uma voz histórica

O radialista Adalberto Valadão morreu na última segunda-feira, 13 de abril. Agora, seus
ex-colegas recordam um dos maiores radialistas da região de Ribeirão Preto

“A vaca foi para o decantado brejão”; esse jogador é um “cabeça de bagre”; “o segredo do futebol é satisfazer o bode sem desgastar a cabra”. Foi sempre com frases como essas que o radialista Adalberto Valadão deixava sua marca nas transmissões esportivas de Ribeirão Preto e região por seis décadas. Sempre com um estilo ácido de comentar futebol e sua voz grave e muito bem postada. Mas a voz de “Valada”, como era conhecido, calou-se na última segunda-feira, 13 de abril, após perder a batalha contra um câncer.

Admiração entre os colegas

Valadão atuou por mais de 60 anos como radialista | Crédito: Divulgação

Companheiro de Valadão na rádio CBN, Luiz Cláudio Alba destaca a importância do radialista para a profissão de radialista. “Podemos dizer que existe ‘A.V’ e ‘D.V’: antes dele, a linguagem era ‘quadrada’ e todo mundo tinha medo de reação de dirigente e torcida. Mas o Valada conseguiu implantar esse estilo popular, com bordões, bom humor e, ao mesmo tempo, falando o que tinha que ser falado, para quem quer que fosse. É por isso que, ainda hoje, muitos tentam imitá-lo”.

Essa característica peculiar também ficou marcado para Schubert Persin, companheiro de Valadão desde 1985. “Certa vez, em um programa da emissora que a gente trabalhava, ele começou a defender que um dirigente de clube fizesse cheque especial no banco. Estava fazendo alusão à falta de dinheiro do time. Não deu outra! O cara invadiu a rádio muito bravo e jogou uma porção de talões em cima da mesa”, relembra.

Longe dos microfones

Colega de profissão no rádio desde a década de 1960, João Gilberto Nogueira, o “Bola Branca” relembra as histórias que viveu com Valadão fora do mundo dos comentários profissionais, transmissões e das emissoras.  “Ficavamos sempre ali, na Única [cafeteria localizada no centro de Ribeirão] ou em frente ao Jornal a Cidade, conversando, contando piada. Engraçado é que sempre que marcávamos de tomar um café, ele aparecia com calças elegantes e que, curiosamente, nunca tinham bolso. Ninguém jamais viu o brilho de suas moedas ou a cor do seu dinheiro”, brinca. 

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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