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Todo parto humanizado é parto domiciliar – e vice-versa?

O interesse por tipos de parto alternativos à cesárea, como o humanizado e o domiciliar, continua crescendo – junto às confusões a respeito dos procedimentos

Escolher o tipo de parto pelo qual seu filho virá ao mundo, especialmente para as mães de primeira viagem, não é uma decisão é fácil. Se você nunca passou por aquele momento, não tem como ter certeza sobre o que é melhor; se já deu à luz, talvez questione se escolheu certo ou se deseja uma nova alternativa.

E na busca de se informar o máximo possível, para tomar a melhor decisão, não é raro se sentir perdida. Tanto é que, ultimamente, uma das confusões mais comuns acontece entre os partos humanizado e domiciliar. Afinal, é tudo a mesma coisa? Todo parto humanizado é feito em casa e todo parto domiciliar é humanizado?

De forma simplificada, a resposta para ambas as perguntas é um sonoro “Não”. Mas é comum é ambos aconteçam juntos. Vamos explicar!

Situações diferentes

Essa confusão entre os tipos de parto é relatada não só pelas mães, mas pelas profissionais que atendem a essas mulheres durante a gestação, como a enfermeira obstetra Thaiane S. Guerra Caetano. Ela afirma que muita gente acha que parto humanizado é o parto domiciliar, sendo que não é.

Mãe e bebê após o parto | Crédito: Pexel
Césarea também pode acontecer de forma humanizada | Crédito: Pexel

“É possível, por exemplo, ter uma cesárea respeitosa para quem procura o parto humanizado. A humanização está muito além do local onde o bebê vai nascer. Ela está além até mesmo dos procedimentos que vão acontecer; a humanização do nascimento quer dizer respeito. Respeito às escolhas do casal, ao bebê que vai nascer; é a escolha da melhor forma possível de nascer”, explica a enfermeira especializada nesse tipo de nascimento.

Em outras palavras, podemos dizer que comparar o método humanizado com o domiciliar é como comparar maçãs com laranjas – ambas são frutas, mas possuem propriedades diferentes, que não são equivalentes. Enquanto parto humanizado diz respeito a uma filosofia, o domiciliar se refere ao local em que a criança nascerá.

“Inclusive, é possível ter parto em casa e ele não ser humanizado. Pode ser violento e cheio de intervenções. Mas, pelo contrário, podemos ter um nascimento cirúrgico, com intervenções, e que seja completamente humanizado”, alerta Thaiane.

Sem medo do parto

Diante da quantidade de vezes que essa confusão acontece, a enfermeira obstetra faz questão de destacar a relação entre a humanização e uma série de decisões, e não apenas ao momento do nascimento da criança em si.

“Quando pensamos em parto humanizado, pensamos em algo muito maior, que envolve estudos, atualização dos profissionais envolvidos, centralização da família no processo de tomada de decisão… A humanização está dentro do olhar, da filosofia, não da técnica em si. Não precisamos ter um parto 100% natural para ele ser humanizado”. Nesse sentido, ela lembra ainda que, no modelo tradicional, quem tomava a decisão costumava ser o médico.

Por sua vez, o parto domiciliar se torna uma opção quando a mulher deseja dar à a luz em um ambiente com o qual possui uma relação afetiva. De acordo com Thaiane, normalmente, quem toma essa decisão está completamente segura em relação ao parto e livre de medos.

“Essa mulher já rompeu a barreira do medo e deseja viver uma experiência mais natural, instintiva e visceral. Mas também com a consciência que ela pode terminar em um hospital, precisando passar por uma transferência. Seja qual for a decisão, deve haver maturidade para aceitar que o parto é uma caixinha de surpresas”, destaca a especialista.

Leia mais: Parto domiciliar em meio à pandemia é seguro?

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