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Ser pai? Não dá pra perder!

O autor de “O Papai é Pop”, livro que alcançou 1º lugar no ranking de mais vendidos do Brasil, fala sobre as aventuras e felicidades que a paternidade oferece

Definiria a entrevista com o escritor Marcos Piangers como um presente que a carreira de jornalista me proporcionou. Quando a oportunidade de um bate-papo exclusivo com ele surgiu, não imaginava todo o carinho e sabedoria que eu levaria na bagagem de volta para casa.

Piangers não mede palavras nem expressões corporais para expor seus sentimentos em relação as suas 2 filhas – Anita de 11 anos e Aurora de 4 – e muito menos esconde a dificuldade da paternidade. Mesmo assim, a cada pergunta, sua segurança nas respostas parecia mostrar que ele sabe tudo (ou quase tudo) sobre ser um “papai pop”.

“Não sou especialista em educação, muito menos psicólogo. Aprendo todos os dias com elas e tento passar minhas experiências para aqueles que têm medo da jornada como pai”, destaca o também especialista em mídias digitais.

Por crescer sem saber a identidade de seu pai biológico, Piangers acredita que seu subconsciente criou uma substituição dessa figura, gerando sua predisposição de construir uma família. Assim, quando sua esposa comunicou a gravidez da 1ª filha do casal, o escritor revela que se sentiu extremamente feliz e realizado. “Muitos homens sentem medo da paternidade simplesmente porque não foram preparados para isso. Ao contrário da maioria das mulheres, que, desde a infância, recebem bonecas para trocar a fralda, casinhas de brinquedo e sonham em casar-se com o príncipe encantado…”.

As dificuldades e alegrias vividas diariamente com as filhas, de acordo com Piangers, o tornam um homem e profissional melhor. “Quando percebe que existe alguém que depende de você para viver, você passa a amar aquilo mais que a si mesmo. Com isso, nos tornamos menos egoístas, egocêntricos… Passamos a questionar o valor de tudo, até mesmo das decisões do trabalho”.

E quando se fala sobre educar, é natural que o tema “palmadas no bumbum” venha à tona. O especialista em mídias digitais afirma ter um pouco de medo desse tipo de correção. “Não pode virar maldade. Quando um adulto abusa da força física para mostrar a uma criança que manda nela, é preocupante. Hoje, temos o desafio de não ser ‘o pai do sim’, aquele que deixa tudo. Para isso, você terá que gastar um tempo com o seu filho, conversar com ele, entender o universo dele, que é diferente do seu, para saber qual a hora certa de deixar certas coisas ou não”.

Para que essa sintonia exista em vários ângulos da relação, Piangers destaca a camaradagem e o diálogo como direção. “Por exemplo, prefiro que as minhas filhas tirem suas dúvidas sobre sexo e drogas comigo que com um amigo. Por meio do diálogo e das experiências que eu já vivi, elas terão todas as informações necessárias para tirar suas conclusões e escolher um caminho para seguir”.

Em uma época em que as mulheres já não são mais as rainhas do lar e passaram a conquistar liberdade no mercado de trabalho, é a vez dos pais encontrarem na paternidade um romantismo antes vivido pela fatia feminina da população. “As mães começaram a precisar de ajuda para conciliar emprego e família e foi aí que os pais entraram na jogada levando os filhos na creche, se aproximando deles, dando comida, brincando mais… Ter filho é difícil? Sim! Mas é incrivelmente gratificante. Você colhe frutos diários. É uma experiência que, na minha opinião, todos os homens deveriam passar!”, finaliza Piangers.

Como é ser pai?

A notícia “você vai ser pai!” chegou para Walther de Oliveira Campos Neto, médico e atual presidente do Rotary Club de Ribeirão Preto Boulevard, quando ele tinha apenas 19 anos. “Foi uma surpresa quando a Marília, nossa 1ª filha, chegou… ainda estávamos no começo da faculdade. Eu fazia medicina em Uberaba e a Fátima, enfermagem na USP de Ribeirão Preto. Nos casamos nas férias do 1º para o 2º ano das nossas faculdades. No final do meu curso, tivemos o Neto, nosso filho do meio, e, 9 anos depois, veio a Sofia. Brinco que tenho filhos de todas idades”, conta o cirurgião.

Como a maioria dos homens, Campos sentiu muito medo, pois sabia que as responsabilidades iriam aumentar. “Na época, perguntei para o meu pai se era difícil ter um filho. Ele me disse: ‘Eu não achei. Se você quer que seu filho não roube, não roube também. Se quer que ele seja educado, você deverá ser educado. Dê exemplo que as outras coisas virão naturalmente’”. Foi exatamente isso que nosso entrevistado fez e afirma ter dado certo.

Outro caminho que o médico decidiu seguir como pai foi nunca interferir na escolha profissional dos filhos. “Eu jamais impus nada. Por escolha deles, resolveram seguir na medicina. Pelo jeito, teremos 100% dos filhos médicos em casa (risos)”.

Família de Walther Campos
Sempre unida, a família de Walther Campos adora curtir momentos especiais. O registro da posse do médico como presidente do Rotary Club de Ribeirão Preto Boulevard é um belo exemplo disso – da esquerda para direita: Marilia, Fátima, Walther Campos, Sofia e Walther Neto | Crédito: Divulgação

Quando falamos sobre o segredo de uma boa educação, Campos bate na tecla do respeito ao próximo. “Eu e minha esposa sempre ensinamos o limite de tudo, até onde eles podiam ir dentro e fora de casa. Você percebe que acertou quando os filhos dos seus amigos convidam seus filhos para frequentarem suas casas, saírem juntos… Sinal que eles são boas companhias. Isso é extremamente gratificante”.

Entre as inúmeras histórias que coleciona com filhos, o também presidente do Rotary lembra de uma passagem muito engraçada, que guarda com carinho. “Minha mulher viajou e eu fiquei com as crianças. Eles aprontaram uma arte em casa e avisei que, quando eu chegasse, eles tomariam um castigo. Assim que abri a porta, encontrei os 3 toquinhos de gente num canto da sala. O Neto estava na frente das meninas, para protegê-las da minha bronca. Eu dei muita risada! Naquele momento enxerguei a forte união deles e percebi que estávamos fazendo certo, que eles sempre seriam grandes parceiros”.

Para Campos, os benefícios que a vida oferece dependem muito dos caminhos que escolhemos. “Mesmo jovens, nos casamos e criamos nossos filhos com dedicação. Pode ser que se eu tivesse me preparado tanto para isso, as coisas não teriam acontecido de forma leve. Agora eu espero os netos para mimá-los muito! (risos)”.

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