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Saiba o que é a ‘doença do silicone’ e se você precisa tirar sua prótese

Relatos de sintomas relacionados à prótese mamária preocupam mulheres, que já se questionam de devem retirar seus implantes; veja a opinião de um especialista

Sendo parte do universo das redes sociais, você provavelmente já leu ou pelo menos ouviu falar da tão temida “doença do silicone”. Com várias mulheres trazendo o tema à tona e até reportagens em grandes programas de TV, a sensação é que o problema surgiu agora e é bastante sério. Realmente, a questão é algo para se atentar, mas a culpa é realmente da prótese de silicone?

De acordo com o cirurgião plástico Vinicius Basile (CRM/SP 131.154), o primeiro ponto a ser esclarecido sobre a doença é sua origem, que não se restringe às próteses. Diferentes agentes externos, ou seja, que não são produzidos pelo próprio corpo, podem desencadear a reação.

Vinicius Basile
Cirurgião plástico Vinicius Basile | Crédito: Divulgação

“Basicamente, a doença é caracterizada por reações exageradas que os corpos de alguns pacientes apresentam a elementos diferentes no organismo, que pode ser uma vacina, um hormônio injetado, um marca-passo ou uma prótese de mama. Eles levam o corpo a produzir anticorpos, que, por sua vez, atacam suas próprias células. Isso faz com que seja uma doença autoimune”, explica o especialista.

Quando relacionados à prótese mamária, os sintomas autoimunes mais comuns são dores musculares e articulares e fadiga, além de perda de memória em alguns casos.

Basile esclarece que, antes dos recentes relatos emergirem, a condição já havia sido descrita como “Doença Autoimune Inflamatória Induzida por Adjuvantes”, conhecida como Síndrome ASIA (do inglês Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants), sendo os agentes externos conhecido como “adjuvantes”.

Contudo, a repercussão aumentou a partir do momento em que personalidades com alcance midiático, como a jornalista Mayra Santos, descobriram que sofriam da síndrome – considerada rara – e decidiram retirar as próteses.

Tirar ou não tirar a prótese? Eis a questão

Na opinião do especialista Vinícius Basile, assim como para colocar, a decisão de manter ou remover os implantes mamários cabe à paciente assistida por um profissional ciente do seu caso e das condições.

Ele aponta, porém, que, por enquanto, não existem evidências que comprovam a associação da Síndrome ASIA especificamente com as próteses de silicone. Sendo assim, não há dados sobre a formação de uma “doença do silicone”.

Próteses mamárias de silicone | Foto: Divulgação

“Estudos recentes mostram que, na comparação entre as mulheres que possuem silicone e a população de forma em geral (sem silicone), a incidência da síndrome é igual. Ou seja: se houvesse relação entre as pacientes com prótese e a doença, a incidência seria maior. Mas não há comprovação de tal fato”.

Ao mesmo tempo, ele cita que um estudo publicado, em junho de 2020, no periódico Plastic and Reconstructive Surgery apresenta evidências científicas que indicam a segurança dos implantes mamários de silicone.

“Todos os anos, essas próteses são usadas em quase 300 mil cirurgias de aumento de mama e 100 mil operações de reconstrução de mama nos Estados Unidos. Desde que foram aprovadas pelo órgão responsável em 1962, poucos dispositivos médicos foram tão estudados de perto quanto à segurança e seus efeitos adversos associados”, destaca Basile.

Leia também: Imunidade de rebanho: o que é e quando vamos atingi-la

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