Início Colunas #mulherzumm Revolução à mesa: mulheres que dominam o mundo dos vinhos

Revolução à mesa: mulheres que dominam o mundo dos vinhos

Seja em séculos passados ou no presente, as mulheres são responsáveis por grandes contribuições ao mundo dos vinhos, garantindo seu espaço de direito no segmento

Durante todo o mês de março, tornaram-se habituais homenagens às mulheres, incentivadas pelo dia internacional dedicado a elas. Nesse período, falamos muito sobre os desafios enfrentados e das lutas vividas em prol da igualdade de gênero, especialmente dos últimos anos, e de suas conquistas – que não foram poucas, inclusive em setores da sociedade que, por muito tempo, foram dominados por homens, como é o caso da cultura de vinhos.

Sommelière Fernanda Barbosa | Foto: Arquivo pessoal

“Hoje, a mulher tem espaço garantido nesse universo que foi historicamente masculino. E sua presença cresce cada vez mais no Brasil e no mundo. Mulheres, tradicionalmente, têm bastante sensibilidade sensorial e olfativa, além de serem muito criativas, organizadas e excelentes administradoras”, garante a sommelière Fernanda Barbosa e proprietária da Adega Galo Branco, em Franca (SP).

Destacando-se nesse universo tanto por seu conhecimento quanto caráter empreendedor, Fernanda descobriu sua paixão pelo vinho enquanto abria caminho em outro setor, no qual a presença feminina também não costuma ser a mais forte.

“Tudo começou há 15 anos, quando fundei o Clube dos Charuteiros, Cachimbeiros e Afins. Para incrementar as reuniões, comecei a promover jantares harmonizados, com especialistas em vinhos. Na medida em que elas aconteciam, me sentia cada vez mais atraída pelo universo do vinho. Assim, fui deixando aos poucos o tabaco para me dedicar, integralmente, aos cursos de vinho”” lembra a especialista, que, logo em seguida, se tornou sommelière pelo Senac São Paulo.

A partir daí sua jornada não parou mais. Além de compartilhar seu conhecimento com inúmeros amantes da bebida, Fernanda já viajou para as principais regiões produtoras de vinho do mundo e degustou os melhores rótulos. Diante dessas experiências, ela deu um passo ainda mais ousado: produziu seu próprio vinho na vinícola Miolo (no Rio Grande do Sul), participando de todo o processo durante 18 meses.

Fernanda se orgulha de ter produzido um vinho próprio | Foto: Arquivo Pessoal
Fernanda se orgulha de ter produzido um vinho próprio | Foto: Arquivo Pessoal

“O Paladino, fruto do meu trabalho juntamente à equipe da vinícola, é a realização de um sonho. Consegui produzir um vinho com características únicas, elegante e complexo”, orgulha-se.

Ela não é a única

Felizmente, Fernanda não está sozinha na conquista de grandes sonhos relacionados ao vinho – e nem foi a primeira a ser responsável por um rótulo. Antes dela, outros nomes contribuíram e revolucionaram a área, como avalia o sommelier Marco Tegano, do Emporium Fiúsa, em Ribeirão Preto.

“Mulheres sempre estiveram presentes na evolução da humanidade. E, no mundo do vinho, não seria diferente, pois, em épocas distintas, existiram nomes à frente do seu tempo que fizeram toda a diferença”.

Questionado sobre algumas dessas personalidades, Tegano escolheu três nomes para citar, ainda que comemore o fato de não serem escolhas fáceis em meio a tantos relevantes.

Madame Clicquot | Foto: Divulgação
Madame Clicquot | Foto: Divulgação

Voltando lá atrás, no fim do século XVIII, o sommelier lembrou de Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin(1777-1866). Com apenas 27 anos e uma filha pequena, ela se encontrou viúva e diante da necessidade de tomar as rédeas da própria vida. Rompendo padrões culturais e sociais da época, ela assumiu a vinícola familiar, fundada em 1772 na região de Champagne, na França, transformando-a em uma das mais respeitadas e admiradas casas de champanhe do mundo, como conta Tegano.

“A determinação e o pensamento inovador da madame Clicquot foi o que determinou o champanhe que conhecemos hoje. Foi ela quem inventou o 1º champanhe vintage (de uma única safra) registrado na região. Até hoje eles são considerados de qualidade superior. Foi sob a tutela dela também que, em 1818, foi elaborado o 1º champanhe rosé, a partir de corte de vinho tinto de Bouzy. Por essas e outras criações, ela era chamada de La Grand Dame de Champagne“.

Regina Vanderlinde | Foto: Divulgação
Regina Vanderlinde | Foto: Divulgação

De volta ao presente, a presença feminina interliga ainda França e Brasil, como é o caso de Regina Vanderlinde, que possui doutorado em Enologia pela Universidade de Bordeaux e, atualmente, é professora na Universidade de Caxias do Sul. Ela também atua como delegada do Brasil na Organização Internacional do Vinho e da Vinha (OIV) desde 2001.

“E, em 2018, Regina foi eleita presidente da OIV, sendo a 1ª brasileira a ocupar esse posto e a 3ª mulher a presidir a Organização”, enfatiza Tegano.

Outra mulher atual que vem se destacando no mundo dos vinhos é Mônica Rosseti, enóloga ítalo-brasileira, considerada a embaixatriz do espumante brasileiro. Natural de Bento Gonçalves (RS), ela fez carreira à frente do projeto da Vinícola Boutique Lídio Carraro, onde sempre buscou obter a melhor qualidade dos vinhedos, com a menor intervenção possível e realçando a essência do vinho.

Mônica Rosseti | Foto: Divulgação
Mônica Rosseti | Foto: Divulgação

“Mônica foi contra a onda que existia no mercado mundial na época e decidiu não utilizar a barrica de carvalho nos vinhos. Com o tempo, houve o reconhecimento da qualidade, complexidade e longevidade dos seus rótulos”, conta o sommelier.

Em 2018, a enóloga teve o seu trabalho reconhecido internacionalmente durante uma das mais importantes feiras de vinho do mundo, a Vinitaly, que acontece na cidade italiana de Verona. Foi lá que ela recebeu o honroso título de Embaixatriz do Espumante Brasileiro na Itália.

Leia mais: Conheça Maria Gomes, um dos segredos do vinho português

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