Início Matérias Cidade Respiradores fabricados pela USP dão reforço à UTI em Ribeirão Preto

Respiradores fabricados pela USP dão reforço à UTI em Ribeirão Preto

De acordo com os responsáveis pela produção, 10 ventiladores pulmonares foram destinados ao Hospital Santa Lydia; respiradores são até 15x mais baratos que os comerciais

Ribeirão Preto se tornou um dos primeiros municípios beneficiados com os ventiladores pulmonares Inspire, criados e produzidos pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com Dario Gramorelli, parte da equipe de coordenação do projeto, foram dois lotes de 5 unidades, encaminhados ao Hospital Santa Lydia. Os aparelhos são fabricados em até 2 horas e por um valor muito abaixo dos que se encontram no mercado.

O encaminhamento de respiradores para Ribeirão Preto atendeu a uma solicitação da Secretaria de Saúde de São Paulo. No estado, aparelhos também já foram enviados para Sorocaba, Bauru e Araraquara, além de existirem pedidos para Matão, Tabatinga e Jaú.

A maior remessa dos ventiladores criados na universidade, contudo, foi enviada para Manaus, onde 10 hospitais receberam, até o momento, 47 unidades. A oito horas de barco da capital do Amazonas, Parintins também conta com os aparelhos, sendo que, nas duas cidades, profissionais tiveram treinamento presencial de como atuar com o Inspire.

Solução para um desafio gigante

O Inspire “nasceu a partir da constatação do colapso na Europa, principalmente na Itália, devido à falta de respiradores, sendo uma das principais causas da mortalidade”, conta Gramorelli, que é também diretor-geral da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP).

O tema foi lançado, então, como desafio para o conjunto da Escola Politécnica, que chegou a um produto que representa um conjunto de soluções de engenharia. “É um respirador que tem como propósito atender emergências. Desde sua concepção, a ideia é que pudesse ser rapidamente fabricado, simples de operar e barato, para poder ser replicado”, explica o diretor.

Diferenciais do Inspire:

respirador USP | Foto: Divulgação
Projeto do Inspire, respirador produzido pela USP | Foto: Divulgação
  • equipamento de baixo custo (seu valor estimado é de R$ 1 mil, frente o custo médio de R$ 15 mil dos aparelhos vendidos no mercado);
  • rápida produção (cerca de 2 horas. O processo que leva mais tempo é sua aferição de acordo com as normas da Anvisa);
  • utiliza tecnologia brasileira;
  • equipamento portátil;
  • possui autonomia de até 2 horas em caso de falta de energia elétrica;
  • não precisa de uma linha de ar comprido para o funcionamento;
  • ideal para a utilização em hospitais de campanha, ambulâncias e regiões remotas.

Gramorelli afirma ainda que a Escola Politécnica não foi a única a aceitar o desafio no Brasil ou no mundo. Mas foi uma das poucas a prosperar e alcançar resultados tão positivos.

“Até onde sabemos, o Inspire foi o único respirador alternativo no mundo que chegou ao final do processo concepção/protótipo/modelo básico/produto final, com operação autorizada de nível III (suporte à vida – pode ser utilizado para intubação do paciente em UTIs)”.

Tamanho resultado fez com que, além das Forças Armadas Brasileiras, até a Marinha norte-americana mostrasse interesse pelo projeto, doando recursos para seu desenvolvimento.

Resposta rápida

Tendo em vista a razão pela qual foi concebido, o respirador é ainda melhor que o planejado. Segundo Gramorelli, seu desempenho tem sido muito acima da expectativa e sua aplicação foi expandida – ele deixou de ser um equipamento somente para atendimento emergencial.

respirador USP | Foto: Divulgação
Projeto do Inspire, respirador produzido pela USP | Foto: Divulgação

“Seu objetivo maior continua sendo as situações emergenciais. Mas suas características vêm permitindo trabalhar de uma maneira muito semelhante a respiradores comerciais normais. Inclusive, existem testes nos quais o equipamento foi utilizado para cirurgias de longa duração e obteve sucesso”, revela o diretor.

Atualmente, estão sendo fabricados cerca de 40 respiradores por semana e existe recuso para a produção de aproximadamente outros 1 mil aparelhos. Estudos avaliam a possibilidade de aumentar os recursos humanos envolvidos no projeto para, assim, poder acelerar o processo produtivo.

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