No intuito de encurtar o tempo e minimizar as complicações, foram avaliados novos protocolos que possibilitam a redução do tempo de tratamento

As mulheres que descobrem o câncer de mama enfrentam diversos desafios durante o tratamento e, a cada dia, devem decidir em conjunto com a equipe médica os melhores caminhos para a cura. Um momento particular desse processo é a radioterapia, que, para muitas pacientes, deve ser realizada por um longo período de seis semanas.

Essa forma de terapia, também conhecida como radioterapia convencional, é recomendada para as mulheres que realizaram a cirurgia conservadora de mama – aquela que preserva o tecido mamário, podendo ou não implantar uma prótese na área operada.

O objetivo fundamental da radioterapia é eliminar quaisquer células cancerígenas remanescentes que não foram removidas durante a cirurgia. No entanto, o período de seis semanas é demorado para a mulher, sua família e a sociedade, além de trazer um pequeno risco de complicações tardias, como doenças cardíacas e pulmonares.

Desse modo, no intuito de encurtar o tempo e minimizar as complicações, foram avaliados novos protocolos de radioterapia que possibilitam a redução do tempo de tratamento para três ou quatro semanas. No entanto, não são todas as pacientes que podem realizar esses protocolos, sendo necessária a avaliação de critérios clínicos com o objetivo de individualizar sua indicação.

Para auxiliar na tomada da decisão clínica, a SBRT (Sociedade Brasileira de Radioterapia) organizou uma diretriz de recomendações em que definiu quais são as mulheres com câncer de mama que podem receber a radioterapia em intervalo curto de tempo, conhecida como hipofracionada em vez do ciclo convencional. Uma dose mais alta por dia e o encurtamento do tratamento é seguro, eficaz e não adiciona prejuízo ao tecido mamário.

A advogada Maria Zilda, 63 anos, aprovou a nova técnica. “Duas semanas a menos de radioterapia me permitiram ficar mais tempo com a minha família, diminuiram meu custo com deslocamento e ausências no trabalho”, relata.

Os resultados do estudo, do qual participaram especialistas de Ribeirão Preto e Barretos (SP), juntamente com outros de diversas regiões do país, servem como um norteador para a definição das condutas atuais, mostrando que algumas vezes, em radioterapia de câncer de mama, menos é mais!

Prof. Dr. Harley Francisco de Oliveira | CRM/SP 108563
Vice-presidente da SBRT (Sociedade Brasileira de Radioterapia)
Professor da USP e Médico Rádio-Oncologista do CTR

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