Qual o destino da hotelaria e do turismo em 2021?

A pandemia ainda vem tendo forte impacto em ambos os mercados. Para analisar esse cenário e apontar suas possíveis direções, conversamos com Melissa Oliveira, referência de consultoria em hospitalidade

Quem se lembra do começo de 2020? Dos pouco mais de dois meses que vivemos até a pandemia mudar os rumos do mundo? Embora pareça que foi “em outra vida”, a consultora de hospitalidade Melissa Oliveira lembra que, naquele período, o ano ainda era visto como extremamente promissor para os mercados de hotelaria e turismo.

“Era quase um dos melhores ciclos que podíamos esperar. O turismo, inclusive, estava bom tanto para dentro do Brasil quanto para fora. Até fevereiro, estava tudo maravilhoso. De repente, chegou a pandemia e bagunçou tudo muito rápido”, recorda. Desde então, os setores tentam se recuperar dessa bagunça – e será que estão conseguindo?

De acordo com Melissa, que encerrou nesse mesmo ano uma etapa de quase duas décadas na rede de hotéis Unique, o choque, no primeiro momento, foi geral e bastante forte. No caso de pequenos negócios, sem caixa para se manterem vazios por meses, muitos fecharam as portas definitivamente ou demitiram funcionários. Contudo, desde setembro especialmente, uma gradativa recuperação parece ter aparecido no horizonte.

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Amazônia | Crédito: Banco de imagem

“O que vimos – e falo um pouco pelo Unique Garden – foi, a partir de setembro, uma certa recuperação. Casos até de lotação, respeitando os percentuais determinados pelas entidades sanitárias. De certa forma, a hotelaria brasileira se beneficiou da pandemia, porque o brasileiro que estava acostumado a viajar para fora começou a olhar para o Brasil e valorizar mais o cenário nacional”, avalia.

Nesse sentido, ela aponta para o aumento do volume de visitantes na Amazônia e no Pantanal, bem como em Foz do Iguaçu, a fim de citar alguns exemplos. “Lençóis Maranhenses também têm aparecido mais. Eu mesma fui em abril e ouvi dos moradores que eles nunca receberam tantos brasileiros”.

O que esperar?

Do seu ponto de vista (pessoal, mas de quem vive imersa no setor), a consultora explica que a hotelaria e o turismo precisaram se adaptar à teoria do “cada dia é um dia”, a qual deve continuar ditando os rumos de 2021. Isso porque, ao que tudo indica, o primeiro semestre deve ser ainda muito lento, especialmente para os negócios que atendem ao segmento corporativo.

Uma retomada mais robusta deve vir a partir do segundo semestre ou quando a vacina tiver chegado a maior parte da população. “Até lá, o grande agito, por assim dizer, deve ser no mercado de lazer. As pessoas querem campo, natureza, lugares distantes, sem aglomeração. O corporativo ainda vai sofrer mais. Os hotéis de negócios tiveram e ainda têm que se reinventar para atrair o cliente de lazer, que, às vezes, quer só sair de casa um pouco, fazer algo diferente”.

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Lençóis Maranhenses | Crédito: Banco de imagem

Em meio a tantas incertezas, Melissa afirma que é difícil fazer previsões, mas que aposta em certas tendências. São elas:

  • Destinos mais remotos, isolados e VIPs, como forma de fugir de aglomeração e participar de atividades ao ar livre;
  • Lugares com segurança e seguindo os protocolos contra Covid-19. Os visitantes buscarão marcas nas quais possuem mais confiança;
  • Turismo de experiências. Essa é uma tendência que não é nova, mas foi fortalecida pela pandemia. As pessoas querem viver algo diferente;
  • Viagens de bem-estar. As pessoas estão mais preocupadas em se encontrar e se reconectar;
  • Viagens em família. Com todo mundo em casa, todos passam a viajar juntos também;
  • Estadias mais longas. Já em 2020, o período médio de estadia aumentou. Com a possibilidade de trabalhar e até estudar à distância, tornou-se possível ficar mais tempo em um lugar novo;
  • Preocupação com o posicionamento de marcas e empresas frente a questões de sustentabilidade e impacto social;
  • Desejo por serviços mais humanizados. Com tanto tempo longe uns dos outros, sem o abraço, o contato próximo, os hóspedes anseiam por cuidado.
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Melissa Oliveira | Crédito: Leo Faria

De olho nas oportunidades

Decidida a tirar um sabático, Melissa Oliveira encerrou sua atuação na rede de hotéis Unique em 2020, após 19 anos. Agora, seu futuro se apresenta com inúmeras possibilidades, as quais ela tem avaliado com calma.

“Tenho algumas vontades, algumas ideias. O caminho mais natural é a consultoria, para a qual, inclusive, já tenho alguns pedidos. Gosto muito de pessoas, sempre gostei de estar com elas e cuidar delas. Mas ainda estou estruturando e estudando alguns caminhos para achar aquele que realmente fará meus olhos brilharem”.

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