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Porque pagamos tão caro no Etanol?

Especialista em agronegócio, Marcos Fava Neves explica as razões pelas quais o etanol está tão caro, mesmo a região de Ribeirão Preto sendo uma das maiores produtoras de cana do país

R$2,81 é o preço médio do litro de etanol em Ribeirão Preto nos últimos 15 dias! Antes disso, era possível encontrar alguns postos com valores entre R$2,37 e R$2,57/por litro. Mas o que aconteceu para os preços subirem tanto? E porque a região, sendo uma das maiores produtoras do país de cana-de-açúcar – matéria-prima para produção de etanol – tem valores tão altos? Marcos Fava Neves, um dos maiores especialistas em agronegócio do país, explica, quais são os fatores que definem os preços dos combustíveis no Brasil.

Nos últimos 10 anos produzir cana-de-açúcar ficou mais caro. De acordo com o Marcos Fava Neves, o volume de pragas e doenças na plantação aumentou, pois não se queima mais cana, ela é colhida mecanicamente, o que contribui muito com o meio ambiente, mas o fator gerou custos altos. “Isso fez com que a lavoura ficasse muito mais cara. E por outro lado, nós estamos produzindo açúcar e etanol por hectare, o mesmo que a gente produzia há dez anos. Então, ficou muito mais caro para produzir, produzindo a mesma coisa, por isso que nós estamos vendo essa situação de crise que está existindo na cana”, explica.

Para o agrônomo, a cana precisa receber um pacote tecnológico para acontecer o que aconteceu com a laranja, a soja e o algodão, ou seja, produzir muito mais por hectare para compensar um pouco o aumento de custo de produção. “Ribeirão Preto depende muito da cana, boa parte do recurso adquirido com a cana é gasto na região, e nós temos que torcer para esse setor ir bem, porque além dele contribuir ambientalmente com o município, ele também auxilia na geração de empregos”, comenta.

Mas se produzimos tanto na região porque pagamos tão caro pelo etanol?

O valor do etanol é baseado no mecanismo de mercado que funciona com base em algumas variáveis. “Uma das mais importantes é o preço de petróleo no mundo, e esse preço o Brasil não controla. O Brasil também não pode controlar o preço da gasolina porque senão ele arrebenta a Petrobrás e a gente viu isso acontecer em governos anteriores. Tudo tem que ser baseado no mercado”, afirma Fava.

O preço alto do petróleo gerou um efeito cascata, o valor da gasolina também subiu, o que fez com que muitos motoristas de veículos flex corressem para abastecer com etanol e o seu preço também aumentou. “Nós estávamos na entressafra, portanto não havia produção de etanol – a safra começou dia 1º de abril – e com o aumento da procura os estoques das usinas desceram muito rapidamente. E quando você não tem produção porque a safra não começou e os estoques diminuem é natural que o preço suba”, explica o professor.

Há pouco mais de um mês do início da safra é possível esperar que os valores do etanol diminuam, mas segundo o professor a queda não será tão significativa. “No momento em que a safra começa os preços do etanol podem recuar, mas nós ainda temos que observar o que vai acontecer com o preço da gasolina e do petróleo que é cotado em dólar e quando se transforma em reais fica ainda mais caro, já que $1 dólar é agora praticamente R$ 4. Portanto, com o início da safra o preço do etanol não vai cair muito, porque o petróleo está muito caro, 2019 será um ano com combustíveis mais caros no Brasil”, conclui Fava.

Marcos Fava Neves é engenheiro agrônomo, professor da FEARP/USP e da EAESP/FGV, escreve para a coluna Agronegócio da Zumm Ribeirão e difunde conteúdo sobre o setor na sua plataforma digital, intitulada Doutor Agro.

Fonte: Entrevista de Marcos Fava Neves a rádio CBN durante a 26ª Agrishow

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