La batalla del vino

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Conheça como surgiu essa batalha gastronômica espanhola, que tem como objetivo deixar seus participantes, vestidos de branco, completamente cobertos de vinho tinto

La batalla del vino é realizada em Haro, pequena cidade de 11 mil habitantes, que fica em La Rioja, na Espanha. O santo padroeiro da cidade é San Felices, um monge que viveu na região, onde havia uma aldeia chamada Bilibio. Eu participei desse evento por três anos e, acredite, é uma experiência difícil de esquecer!
A tradição dessa batalha gastronômica começou com a morte de San Felices, cujos restos mortais depositados em uma caverna atraíam muitos peregrinos. Séculos depois, em junho, apareceu uma celebração dos dias de São João e São Pedro. Por volta do século XVIII, as coisas se juntaram e a tal festividade passou a ser uma homenagem a San Felices. Já no fim do século XIX, surgiu o que se chamou “a época de batismo do vinho” e a celebração religiosa foi ganhando caráter pagão.
O jornal Diário de La Rioja, de 29 de junho de 1898, trazia a seguinte notícia: “Quando essa edição chegar às mãos de meus queridos leitores, já terá entrado para a história a típica romaria de Bilibio; teremos alguns jarros de vinho a menos nas adegas e alguns a mais no corpo e na roupa”. A matéria dizia isso, pois, durante a festa, o vinho era atirado nas pessoas como se fosse munição. Elas comiam, bebiam, cantavam e riam. E a tradição se perpetuou. Ela acontece anualmente no dia 29 de junho e atrai muitos turistas dispostos a cair na folia, desde cedo até o final do dia. Estima-se que haja, aproximadamente, 10 mil participantes.
Na ocasião, todos se vestem de branco e têm como objetivo deixar o outro inteiramente roxo – o mais rápido possível e antes de si mesmo, é claro! Para isso, utilizam-se panelas com vinho, baldes, armas de brinquedo, borrifadores e tudo aquilo que a imaginação permitir (exceto garrafas de vidro, para que ninguém se machuque).
De onde vem o vinho da brincadeira? As pessoas levam, mas também é fornecido pela prefeitura e por produtores, que ficam a postos, prontos para disponibilizar mais “munição” aos foliões! Nesse caso, o que eles entregam são restos de colheita, considerados de baixa qualidade para o consumo. Quando a brincadeira acaba, é hora de comer e beber vinho – de alta qualidade! E é hora, também, de cantar e dançar, até o dia terminar!

Alejandro Blanco
Coordenador do Espaço Gourmet
do RibeirãoShopping, graduado em
International Culinary Arts and Food
Science pela University of West London

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