Dormir é decisivo para a qualidade de vida

Entender e respeitar a quantidade de horas de sono que nosso organismo precisa podem transformar o dia a dia. Quem explica é Alan Eckeli, especialista em Medicina do Sono

Você já ouviu alguém roncar e pensou, com certa inveja, o quão profundo aquela pessoa estava dormindo? Essa é uma associação que muita gente costuma fazer. Mas o ronco, muitas vezes, indica uma situação oposta. “Ele é um dos sintomas mais sensíveis para a gente triar um paciente com apneia do sono [quando a respiração para e volta diversas veze durante à noite]. Como esse, temos vários entendimentos inadequados. A cultura brasileira não leva muito a sério os transtornos do sono e, de maneira geral, dormimos menos horas do que seria necessário”, adverte o pesquisador Alan Eckeli, professor de Neurologia e Medicina do Sono na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Afinal, são vários os indícios de que o tema deveria receber mais atenção.

Atualmente, são identificados mais de 80 transtornos relacionados ao sono, que se mostram cada vez mais frequentes na sociedade, embora ainda pouco diagnosticados. Eckeli revela que estudos brasileiros apontam, por exemplo, a apneia do sono em um terço da população adulta no Brasil.

“São cerca de 33%, o que é bastante, ainda mais pensando no tamanho do país. A título de comparação, isso equivale à soma de pessoas hipertensas (20% da população) e diabéticas (12%)”.

Outro transtorno que também aparece com uma taxa relevante é a insônia crônica (aquela que dura mais de três meses), em 10% dos brasileiros, e a Síndrome das Pernas Inquietas, “que não é aquele bater de pernas que todo mundo acha. É uma doença específica de herança genética, que acomete 6% da população adulta”, esclarece o pesquisador da FMRP/USP, lembrando que, nesses casos, o diagnóstico é relativamente simples e os tratamentos, bastante eficazes.

Dormir não é perder tempo

Em uma sociedade na qual a produtividade é profundamente valorizada, o ato de dormir é visto, muitas vezes, como perda de tempo – tanto que o sono é um dos primeiros a serem “cortados” quando se é exigido mais tempo para outras atividades. Mas o especialista em sono adverte que sua privação ou dormir pouco “tem um preço e um preço altíssimo”.

É o sono que restaura nossas capacidades intelectuais e motoras – ou seja, que garante o funcionamento do nosso organismo. Sem ele, além do sentimento de cansaço, o cérebro não tem o mesmo desempenho, tanto que já ficou demonstrado os impactos sobre a linguagem (ela fica mais restrita, empobrecida) e a atenção (baixa). Mas até funções mais específicas podem sofrer com a restrição.

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“Quando há uma privação de sono aguda, possivelmente haverá aumento da grelina e redução da leptina, hormônios responsáveis pela fome e pela saciedade, respectivamente. Ou seja, vou ter mais fome e menos saciedade. Então, viver com privação de sono está associado ao aumento de peso”, exemplifica Eckeli. O pesquisador ainda cita que existem relações sendo feitas entre a quantidade de sono e a expectativa de vida – pessoas que dormem menos ou mais que o necessário apresentariam uma expectativa de vida menor.

Hora de ouvir o corpo

Quem também nunca escutou que o certo, a regra, é dormir entre sete e oito horas por noite? “Ficamos repetindo isso quase como se fosse um mantra. Mas não funciona assim. A gente precisa dormir a quantidade de horas que nosso organismo pede. Para a maioria, realmente será de sete a oito horas. Mas, para alguns, será menos; para outros, mais”, explica Alan Eckeli.

Então, a melhor solução é que cada um tente descobrir sua própria necessidade, sendo que, para isso, é é preciso ouvir o corpo. “Temos que ficar atentos aos sinais. Nosso corpo indica quando dormimos menos por meio do cansaço, da desatenção, da fome; mas se dormimos demais, ele demonstra lentidão psicomotora, fica mais fraco, com uma sensação de dor. É importante ter essa autopercepção”.

Sem perder de vista a diversidade do ser humano, influenciado por questões genéticas e de hábitos, um jeito de tentar chegar ao número mágico é avaliando o sono sem a necessidade de seguir o relógio durante, pelo menos, cinco dias, como explica o pesquisador: “Nesse período, durma quando tiver sono e se deixe acordar naturalmente. Então, você vai anotando em um caderno os horários e como se sente ao acordar e ao longo do dia. Faz uma reflexão. Depois, você descarta os dois primeiros dias, já que eles podem ter influência do ritmo de vida habitual e, com os outros três, você faz um cálculo médio a partir de suas percepções”.

Outro método de avaliar se você está dormindo o suficiente é o que os médicos chamam de latência do sono, que é o tempo que demoramos para dormir depois que deitamos. “A latência normal é entre 10 e 30 minutos. Acima de 30, pode indicar insônia. Mas dormir muito rápido também não é normal. Indica sonolência aumentada. Inclusive, quem costuma dormir mais aos sábados e domingos tende a ser porque não está dormindo o suficiente durante a semana”, alerta o professor.

4 estágios do ciclo do sono

  • N1: Sono superficial e diminuição da atividade cerebral – às vezes, nem temos a percepção de estar dormindo.
  • N2: Transição entre o sono superficial e o mais profundo, com atividade cerebral em diminuição.
  • N3: Sono mais profundo e com atividade cerebral quase nula.
  • REM: Sono profundo, mas com atividade cerebral intensa – estágio no qual é mais comum sonhar.

“Não temos uma fase do sono que seja mais importante; todas são essenciais. Elas acontecem em ciclo, recomeçando, em média, a cada 90 minutos. É importante ter equilíbrio entre elas” – Alan Eckeli

Qual o seu cronótipo?

Cronótipo é o ciclo comportamental do organismo quanto aos seus processos físicos. É ele que determina nossos estados de vigília (acordado) e sono (dormindo) ao longo de 24 horas; é geneticamente determinado e não muda ao longo da vida.

Existem 3 tipos de cronótipo:

  • Matutino: Pessoas que preferem dormir e acordar mais cedo. A preferência é manifestada por uma maior facilidade de despertar pela manhã, bem como ser esse um período mais produtivo e de disposição.
  • Vespertino: Quem prefere dormir e acordar mais tarde. Geralmente, ficam mais dispostos e trabalham melhor no fim da tarde ou começo da noite.
  • Intermediário: Aquelas pessoas “adaptáveis”. Em geral, conseguem ter mais flexibilidade para adequar sua rotina às imposições sociais.

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