Início Matérias Cidade Quarentena: como otimizar o tempo entre filhos, home office e estudos

Quarentena: como otimizar o tempo entre filhos, home office e estudos

Para combater a disseminação do coronavírus, uma das medidas tomadas foi o isolamento social. Como resultado, as responsabilidades profissionais foram para dentro de casa, tendo a atenção dividia com filhos ou estudos. Mas como podemos otimizar o tempo nessa nova dinâmica?

Há uma semana, a vida de Mariana Seabra da Silva virou de pernas para o ar. O motivo: o novo coronavírus, responsável pela Covid-19. Mãe do pequeno (e fofo!) Davi, de 2 anos e 5 meses, a terapeuta ocupacional, de 38 anos, teve sua rotina completamente mudada. Se antes seu dia era dividido entre deixar o filho na creche, trabalhar, ir ao pilates (duas vezes na semana) e voltar para casa e o maridão (que também trabalha fora o dia todo), nada disso passou a ter lugar diante as exigências de isolamento social vindas do governo.

“A princípio, teria que pagar uma professora da creche para ficar com o Davi em casa, pois o meu trabalho continuaria normal. Mas, no domingo (15), a Universidade Federal Fluminense, onde trabalho em Niterói, no Rio de Janeiro, liberou alguns servidores, incluindo, responsáveis por crianças pequenas que não têm ajuda de outras pessoas”, conta Mariana.

Para auxiliar os pais, a creche de Davi desenvolveu atividades próprias para dentro de casa | Crédito: arquivo pessoal

Sem creche, sem diarista (Mariana liberou remuneradamente a sua) e tendo que trabalhar no estilo home office, a terapeuta ocupacional precisou “se virar nos 30” para otimizar o tempo. Como ela conseguiu tamanha façanha? Fiz a mesma pergunta! A resposta foi o gerencirenciamento de tudo, de forma tranquila, como se a mudança que todo o país está sofrendo fosse durar para sempre. “Assim, não ficamos angustiados. A vida mudou, mas continua e, apesar do caos, que seja leve”.

Uma nova rotina

Agora, os dias úteis de Mariana dentro de casa ganharam um ar de férias. Contudo, nenhuma responsabilidade foi deixada de lado. Toda a família acorda no mesmo horário de antes e toma café junto. “Pela manhã, sou 100% do Davi. Umas 11h30, servimos o almoço, tem o banho dele e tento colocar ele para dormir. Em geral, ele dorme de 2h a 3h”, conta a terapeuta ocupacional.

A labuta da profissional começa mesmo por volta de 13h30. “Quando o Davi acorda, dou um lanche e deixo ele brincando sozinho até às 18h. É a hora que eu paro para brincar mais um pouquinho, malhar uns 30 minutos, ver o jantar, tomar banho, ler histórias e dormir”.

A comida do fim de semana já fica pré-pronta e, dessa forma, sobra mais tempo para curtirem o dia. “À noite, passamos uma vassoura e um pano no chão e a faxina grossa está ficando para o sábado”.

É hora de brincar…sim!

Mesmo com uma rotina bem estabelecida, as crianças, necessariamente, precisam gastar energia. E, nesse quesito, de acordo Mariana, a creche que o filho frequentava deu uma mãozinha enviando ideias de atividades. “O professor de psicomotricidade fez um calendário semanal (de segunda a domingo) com sugestões de nove atividades para fazer, todos os dias, com as crianças. Mesmo confinadas em um apartamento pequeno, dá para elas gastarem energia. São três atividades pela manhã, três à tarde e três para a noite”, ressalta.

Abastecer o estoque de tintas, papel, massinhas, canetinhas e tudo que ajude o pequeno a soltar a imaginação também foi outra medida tomada pela mãe para otimizar o tempo dentro de casa. “Tenho dois e-books do @tempojunto que têm várias dicas de atividades com crianças. Mas acho que o importante é montar uma rotina para dar segurança e previsibilidade. E tentar nos encaixar na rotina dos pequenos”.

O jeito é aproveitar ao máximo o tempo em família | Crédito: Arquivo pessoal

Mais tempo juntos

Já na rotina do ilustrador e designer gráfico Gustavo Gialuca, de 41 anos, conviver com o filho em seu apartamento e realizar suas atividades profissionais já era de praxe. “Trabalho home office em São Paulo há uns 10 anos. A única diferença, hoje, é que o Juan fica em casa na parte da tarde, que era o horário que ele frequentava a escola”, conta Gustavo.

Porém, para entreter o filho de 4 anos e conseguir dar conta da demanda de trabalho, o ilustrador passou a permitir que o pequeno interagisse com desenhos e jogos eletrônicos com mais frequência. “Virou uma solução para eu poder me concentrar no trabalho. Mas, mesmo assim, ele me chama o dia todo. Sendo honesto, isso acaba com a concentração e o trabalho não rende tão bem”.

Juan já ficava, no período da manhã, com os pais em casa. Agora, eles revezam para distrair o pequeno enquanto tentam realizar suas tarefas | Crédito: Arquivo pessoal

Uma solução para otimizar o tempo que funcionou para o também designer gráfico foi dedicar um tempo do dia apenas para Juan. “Paro para brincar mesmo com ele. Do que ele quiser! Senti que, dessa forma, ele relaxa mais. Os horários é que variam. Não tem mais a rotina de brincar de manhã e trabalhar à tarde. Se ele está relaxado e pode ficar um tempo vendo desenho, eu aproveito e trabalho”.

A esposa de Gustavo, Keila Akemi, também faz home office, bem antes da Covida-19 surgir na vida dos brasileiros. Segundo o marido, isso ajuda na divisão das tarefas, feita de forma bem orgânica. “Essa semana vamos começar a testar algumas coisas que surgiram, como as contações de histórias liberadas pelo Instagram. Mas, na minha opinião, o negócio é gastar a energia. Tem mesmo é que jogar um pouco de futebol no quintal ou na garagem. Ou tentar andar um pouco de bike à noite, quando a rua está quase vazia”, acredita Gustavo.

Coronavírus X estudos

E não é apenas para a vida do trabalhador que o coronavírus trouxe grandes mudanças. Giulia Tavares, estudante de medicina, conquistou, no fim de 2019, sua sonhada vaga no curso oferecido pela Faculdade Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo. Hoje, cursando o 2º semestre, teve os estudos paralisados por tempo indeterminado.

“Acompanhei o processo de contaminação do vírus desde o início, quando surgiu na China. Senti que a situação estava se complicando quando a Itália começou a sofrer com tantas internações e mortes. Eu confirmava todo esse cenário assustador diretamente com amigas intercambistas que moram em Taiwan e na Dinamarca”, conta a estudante de 18 anos.

Assim que soubre da gravidade da Covid-19, a faculdade onde Giulia estuda tomou todas as devidas providências | Crédito: Arquivo pessoal

No início, Giulia lembra que a faculdade, rapidamente, tomou as precauções de higiene exigidas pelo Ministério da Saúde, como a disponibilização de álcool em gel e máscaras. “Eles também dobraram o fluxo da limpeza dos banheiros, o que já acontecia com grande frequência antes do surgimento do vírus”.

In love com a family

No entanto, como já sabemos, chegou o momento em que o governo exigiu o fechamento dos grandes centros. O objetivo é evitar a aglomeração de pessoas, o que facilita a propagação do vírus. E isso inclui escolas e faculdades.

Foi aí que o isolamento social, pela primeira vez, começou a fazer parte da vida da estudante, que estava habituada a um fluxo intenso de aulas presenciais e práticas, assim como provas. “O Ministério da Educação proibiu as aulas a distância para alunos de medicina. Isso preocupa muito os estudantes do curso, pois não sabemos como vamos repor essas matérias”, questiona Giulia.

Mas ser estudante de medicina tem suas vantagens, a exemplo de saber otimizar o tempo como ninguém! Enquanto aguarda, esperançosa, uma outra posição do governo em relação ao ensino EaD, o jeito está sendo usar o tempo livre para aprimorar o inglês e colocar os estudos em dia. “Moro em uma república próxima a Santa Marcelina. Mas fiz minha mala e voltei para a casa dos meus pais, em Guarulhos (SP). Leio livros e vejo séries em inglês, sem legenda, para melhorar minha dicção e conversação, e aproveito para estudar a fundo aquelas aulas que não havia tido tempo de fazer resumo”.

Para a jovem, mesmo em meio ao caos, estar ao lado de quem ama é a melhor forma de passarmos por esse momento tão delicado. “O lado bom disso tudo é curtir a família. Agora, estou com tempo para brincar com minha irmã mais nova, Heloisa, de 12 anos. A gente conversa, dá risada, faz vídeos… estamos nos divertindo muito!”.

De quarentena, Giulia e a irmã, Heloísa, aproveitam o tempo juntas | Crédito: Arquivo pessoal

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