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Coronavírus tranforma o cenário econômico e social

Impressionante como, nesse mundo conectado, temos mudanças que acontecem e trazem um panorama completamente diferente do previsto

Viramos o ano com uma perspectiva excelente para o Brasil: Ela englobava a retomada do crescimento, a criação de oportunidades, entre outras boas perspectivas. Daí, passamos a conviver com uma ameaça mundial que nasceu na China e se espalhou rapidamente pelo planeta, com o nome de novo coronavírus.

Foi quando muitas dúvidas começaram a surgir, principalmente a partir de um conjunto de variáveis para o qual nossas atenções tiveram que se voltar. Destaco: taxa de infecção, grau de enfermidade da doença (tratamento) e comportamento das pessoas e dos governos. Nesse sentido, separei alguns pontos principais sob os quais podemos tentar entender e prever os impactos que acontecerão.

O que será?

Temos que pensar qual será o tamanho da retração econômica devido às restrições colocadas por governos ao comportamento do consumidor. O primeiro impacto, brutal, se dá nos negócios de serviços (turismo, entretenimento, eventos, aviação e outros). Sendo grandes componentes do PIB mundial, eles podem gerar uma grave desaceleração econômica.

O segundo impacto vem sobre produtos industriais que podem ter compras postergadas, como roupas, carros e eletrônicos. Afinal, os consumidores ficam com medo e perdem a confiança de comprar.

No campo

Para os produtores do agro e para o Brasil, temos uma vantagem que os alimentos praticamente não são cortados. Mesmo assim, existem mudança de canais (do setor de serviços, restaurantes, para a alimentação em casa/delivery), inclusive com aumento de gastos com alimentação residencial (hábito de cozinhar), higiene pessoal e afins.

Mais um ponto a ser observado é o grau de interrupção nas cadeias globais devido aos atrasos nas fábricas e nos portos chineses (insumos/componentes). Da China, grande importadora nossa, temos que ver também qual o dano que aconteceu nas produções de alimentos (principalmente carnes), que podem levar à maior necessidade de importação.

Será que acontecerá uma mudança de comportamento de consumo na China e na Ásia em direção às carnes mais seguras (menos exóticas, como morcegos e cobras) e, com isso, aumentará a demanda pelo que o Brasil exporta?

Também temos que observar como será a recuperação nos centros de produção chineses e o movimento mundial para encontrar novas alternativas à China como fornecedora de componentes. E ainda colocar nessa mistura o estímulo econômico dos governos em todo o mundo para que a economia não afunde tanto.

Ainda é cedo para saber o impacto dessa confusão toda e fica nossa torcida para que, no Brasil, tenhamos poucos casos e que nosso sistema de saúde consiga atendê-los.

Marcos Fava Neves
Engenheiro Agrônomo
Professor da FEARP/USP e EAESP/FGV
favaneves@gmail.com
www.favaneves.org

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