Início Matérias Viagens Com motorhome, casal planeja cruzar o continente e chegar ao Alaska

Com motorhome, casal planeja cruzar o continente e chegar ao Alaska

Alessandro e Maria Eduarda largaram suas carreiras como advogados para viverem novas experiências pelo mundo; o plano de ir até o Alaska no motorhome deu origem ao projeto Get Outside

Em algum momento da vida, você já deve ter sentido aquela vontade de deixar tudo para trás e cair no mundo – fosse por querer fugir dos problemas ou pelo intenso desejo de viajar e conhecer o desconhecido. Tal sentimento não é raridade, mas, mesmo assim, costuma ser deixado de lado pela maioria das pessoas.

Maria Eduarda durante passagem por Bariloche, na Argentina | Foto: Arquivo pessoal

Mas Alessandro De Franceschi e Maria Eduarda Cardoso decidiram não ignorar o que sentiam: em 2019, o casal se despediu do endereço fixo em São Paulo e de suas carreiras profissionais, e caiu na estrada com um motorhome, que, hoje, é tanto seu lar quanto seu meio de transporte.

“Não sabemos o que vem pela frente e, muito menos, quem seremos ao final dessa jornada. Mas temos certeza de que, no fim da nossa vida, vamos olhar para trás e veremos que tomamos a decisão certa de viver e ver o mundo de forma intensa”, garante Maria Eduarda, apresentando também outro grande resultado dessa decisão (além da mudança de vida): o Get Outside.

Roteiro empreendedor

Embora tenha “caído no mundo”, o casal tem um planejamento pré-definido (e ambicioso), que é a base do Get Outside:

  • Descer até o extremo sul da América Latina, passando pelo litoral Uruguaio e chegar ao Ushuaia, no sul da Argentina;
  • De lá, subir explorando a Patagônia (inclusive, Maria Eduarda já aponta essa região entre a Argentina e o Chile, onde passaram a maior parte de 2020, como um dos lugares mais marcantes que conheceu), passando pelos desertos do Atacama e de sal (Salar de Uyuni), na Bolívia;
  • Em seguida, passar pelo Peru, conhecendo as montanhas, as praias e a cultura Inca, e seguindo em direção ao Equador e a Colômbia;
  • Dali, cruzar para a América Central, em direção ao extremo norte das Américas, no Alaska.
Motorhome tem sido o lar do casal desde o fim de 2019 | Foto: Arquivo pessoal

De modo a financiar esse roteiro, os dois se tornaram, além de viajantes, empreendedores, já que, durante o percurso (e utilizando-se dele) estão produzindo conteúdo em texto, imagem e vídeo para marcas.

Alessandro trabalhando durante a viagem | Foto: Arquivo pessoal

Ao mesmo tempo, eles contam e mostram suas histórias no YouTube e no Instagram, além de terem um blog, no qual narram mais detalhes da aventura e vendem as fotografias dos registros deslumbrantes que fazem pelo caminho.

“Gostamos de dizer que não falamos de viagens; falamos de sonhos e inspirações, tendo a viagem como um pano de fundo. Nosso objetivo é usar as nossas histórias para inspirar as pessoas a correrem atrás dos seus sonhos, mesmo que mudanças importantes (como a carreira) sejam necessárias para que eles se realizem”, define Alessandro.

Prós e contras da vida no motorhome

A dupla no começo da aventura | Foto: Arquivo pessoal

Como afirma a música eternizada por Charlie Brown Jr., “a cada escolha, uma renúncia, isso é a vida” – até mesmo no caso dessa vida de nômade que, para muitos, parece perfeita.

“Sem dúvida, a parte mais legal é a liberdade de poder dormir cada dia em um lugar, não se preocupar em ter que chegar a algum lugar, em determinado dia e horário, e se sentir sempre em casa independentemente de onde você esteja”, avalia o ex-advogado.

Mas a liberdade tem como preço a saudade da família e dos amigos, bem como a constante necessidade de readaptação e replanejamento. “Enquanto estamos na estrada, a vida das pessoas próximas a nós continua. Então, perder alguns momentos importantes é bem difícil. Além disso, diria que viver em pouco espaço demanda certo desprendimento e jogo de cintura, e exige saber lidar com imprevistos, que sempre acontecem. Tem a questão dos recursos limitados (água e energia elétrica) e da dificuldade de, muitas vezes, manter a rotina (precisa de muita disciplina)”.

Se você ficou curioso sobre como é a casa da dupla, ou seja, detalhes do motorhome, Alessandro e Maria Eduarda fizeram alguns vídeos mostrando. Confira:

Ainda sobre as dificuldades do dia a dia sobre quatro rodas, em mais de um ano viajando, o casal já coleciona histórias de perrengues que, segundo Alessandro, são inevitáveis para quem vive em uma casa em movimento.

Ele lembra, por exemplo, que no segundo mês de viagem, o pneu furou. Até aí, normal – se eles não estivessem no meio da Carretera Austral, no Chile. Ah, e sem as ferramentas necessárias para fazer a substituição.

“Fomos trocar o pneu da van pela primeira vez e nos demos conta de que não tínhamos a chave de roda. Uma pessoa logo parou para nos ajudar e conseguimos tirar o pneu furado, mas daí percebemos que o estepe estava vazio. Felizmente, a mesma pessoa também tinha um compressor e nos salvou. Na semana seguinte, furamos o pneu mais três vezes. Até hoje, já foram sete vezes no total”, reconta.

No Brasil, a dupla se perdeu em plena serra catarinense. Foi nela, no meio de estradas rurais e na calada da noite, que eles levaram um dos maiores sustos da viagem.

“Fomos parados por um homem em um carro e ele estava armado. Disse que havia muitos roubos de gado na região e, por isso, estava averiguando nossa presença. No fim, ele nos ajudou e nos mostrou o caminho”, conta Maria Eduarda, aliviada.

Desejo, não insatisfação

Maria Eduarda Cardoso| Foto: Instagram/arquivo pessoal

Quando conta como surgiu a ideia de viajar sem data de volta, Alessandro faz questão de destacar que a dupla não foi motivada pela insatisfação com a vida que levavam, como é tão comum. Pelo contrário, trabalhando como advogados, ambos já tinham uma carreira boa, em grandes bancas de advocacia, e eram felizes. Contudo, se questionavam se aquilo era tudo que a vida tinha a oferecer.

“Sempre tivemos um espírito explorador, de fazer viagens diferentes e buscar conhecer o novo. Em 30 dias de férias por ano, não conheceríamos tudo o que gostaríamos de conhecer e vivenciar, e foi aí que pensamos em inverter a lógica. Queríamos viver mais o mundo e menos o escritório; sentir mais; aproveitar nossos poucos anos de vida de uma maneira diferente, que nos garantisse um senso de propósito e felicidade diferente do que vivíamos antes”, conta.

Como toda importante decisão, a escolha pela vida nômade não veio livre de dúvidas. Afinal, foram anos de dedicação à advocacia e à construção de um tipo de vida trocados, de certa forma, por um motorhome e pela incerteza do amanhã.

“Essa certamente foi a decisão mais ousada e mais importante que tomamos. Foi preciso entender que não existe o momento perfeito para fazer algo assim. Mas nos preparamos muito. Só não esperamos tudo ficar 100%, porque isso nunca vai acontecer”, avalia Alessandro.

Vida na estrada: uma vida sem arrependimentos | Foto: Instagram/arquivo pessoal

Diante disso, ele aconselha que, quem deseja fazer o mesmo, defina bem o projeto de viagem e prepare uma reserva financeira para se manter por um tempo: “Quando você sentir um pouco de segurança, dê o passo”, incentiva.

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