Início Colunas Economia 'Bicho-papão brasileiro', inflação volta a ameaçar a economia

‘Bicho-papão brasileiro’, inflação volta a ameaçar a economia

Há um grande risco que a inflação medida pelo IPCA em 2021 seja superior, talvez muito superior, aos 4,8% atualmente projetados pelo mercado


A pandemia desarranjou cadeias globais de produção – reduzindo a oferta – e, posteriormente, com estímulos fiscais e monetários recordes, aumentou a demanda por matérias-primas de energia, minerais, metálicas e alimentares. Com menos oferta e mais demanda, os preços subiram.

Com essa forte alta, o custo de produção de inúmeros produtos subiu também. Na maioria dos países, tal aumento de custos de produção não pôde ser repassado pelas empresas aos preços de venda dos produtos (ao menos, não integralmente), porque com a forte taxa de desemprego e a queda de renda, os consumidores deixariam de consumir.

Com os custos subindo mais rapidamente que os preços de venda dos produtos, as margens das empresas caíram. Mas, conforme os empregos voltem – o que começou a acontecer no 2º semestre do ano passado -, a demanda crescerá e as empresas aproveitarão a oportunidade para recompor suas margens. Isso deve pressionar a inflação ao consumidor neste ano e no ano que vem, em todo o mundo. A inflação ao consumidor está grávida.

E, no Brasil, a gravidez é de gêmeos.

Inflação brasileira

Aqui, à enorme alta do preço internacional das matérias-primas, somou-se uma também forte alta do preço do dólar em relação ao real. Entre as principais moedas globais, a brasileira foi a que mais se desvalorizou, fazendo com que o preço das matérias-primas subisse ainda mais em nosso país, além de elevar o preço de outros componentes e produtos importados.

Com isso, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) subiu 42,6%, nos 12 meses terminados em 15 de março. É a 2ª maior elevação em mais de 26 anos, desde que o Plano Real foi implementado. Entre 71 países, apenas na Argentina, que vem convivendo com inflação descontrolada há anos, a alta do IPA foi maior que no Brasil.

Por tudo isso, há um grande risco que a inflação medida pelo IPCA em 2021 seja superior, talvez muito superior, aos 4,8% atualmente projetados pelo mercado. Na tentativa de evitar esse cenário, o Banco Central terá de subir a taxa Selic além das taxas projetadas pelo mercado: de 5% em 2021 e 6% em 2022.

Quanto mais agressivo for e mais rapidamente acontecer o ajuste fiscal por meio da Reforma Administrativa, da Reforma do Pacto Federativo e das privatizações, menor será a necessidade de altas mais agressivas dos juros. Um forte ajuste fiscal colaboraria para aumentar a confiança no país e atrair capitais, reduzindo a cotação do dólar e, por consequência, a pressão dos custos de produtos importados sobre a inflação.

Se não avançarmos agressivamente nesse fronte, um forte choque de juros será inevitável e o crescimento econômico no 2º semestre e, principalmente, em 2022 será bastante prejudicado.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Ricardo-Amorim_Coluna-Economia.png

Ricardo Amorim
Economista, apresentador e palestrante 
Linkedin: ricardoamorimricam
Instagram: @ricamorim
www.ricamconsultoria.com.br

Leia também: Prioridades: as dos políticos são as mesmas que as nossas?

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu Comentário
Por favor coloque seu nome aqui

MAIS LIDAS DA SEMANA

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!