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‘A mulher é a influenciadora da compra do imóvel’, afirma player do mercado

Mulheres que atuam no setor da construção civil contam e analisam como a força feminina vem conquistando espaços profissionais e na compra do imóvel em um mercado ainda majoritariamente masculino

Quem tem a última palavra no momento da compra da casa própria ou do apartamento dos sonhos? De acordo com uma pesquisa recente, realizada pela Behup (startup que cria e utiliza tecnologias para desvendar o comportamento humano), o poder de decisão costuma vir de uma voz feminina – resultado também observado pela experiência de Raquel Pagano, que representa o time das mulheres em diferentes esferas do mercado imobiliário.

“A mulher é a influenciadora da compra do imóvel; é ela quem define e dá os balizadores da aquisição. Posso dizer que mais de 75% das vendas da empresa foram feitas sob a decisão de uma mulher”, garante Raquel, que é gerente comercial da Construtora Pagano, em Ribeirão Preto.

Os dados do levantamento da Behup revelam que 21% das entrevistadas mulheres relataram decidirem sozinhas sobre a compra do imóvel – ou seja, sem consultar seu cônjuge. O percentual é quase o dobro dos homens, entre os quais só 12,4% relataram tomarem a decisão por conta própria.

Raquel Pagano | Foto: Rafael Cautella
Raquel Pagano é gerente comercial em uma construtora | Foto: Rafael Cautella

Além disso, 15% das mulheres disseram que seus companheiros não ajudaram em nada no processo de escolha do imóvel, enquanto, para os homens, esse número foi de 6,8%. No total, foram entrevistadas 1.835 pessoas, sendo 50% homens e 50% mulheres, das classes A e B de São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Os dados indicam que o poder de decisão e a influência das mulheres na compra de um imóvel devem ser levados em conta por imobiliárias e construtoras, como já acontece na empresa em que trabalha, segundo a gerente comercial.

“Vemos uma participação crescente das mulheres e temos boas perspectivas para esse mercado, no qual elas aparecem tanto como consumidoras quanto profissionais”, antecipa.

Elas edificam o mercado imobiliário

Como um importante player desse segmento, Raquel avalia que a quebra dos paradigmas de gênero no mercado imobiliário é muito importante, inclusive no sentido de dar fim a preconceitos, com os quais ela, felizmente, diz não ter precisado lidar.

“A minha experiência mostra exatamente o contrário de preconceitos ou resistência. Fui muito bem recebida e acolhida pelo setor”, garante, destacando que, assim como em outros segmentos, a presença da mulher vem ganhando espaço em diferentes contextos, como no administrativo e até em canteiros de obra.

Raquel Pagano | Foto: Rafael Cautella
Raquel Pagano se sente realizada no marcado imobiliário | Foto: Rafael Cautella

A engenheira civil Jaqueline Pelloso é uma dessas mulheres – literalmente – edificando os sonhos de tantas pessoas. Diretamente das construções, ela compartilha sua sensação de que a liderança feminina na construção civil está crescendo, embora a maioria dos cargos de prestação de serviço ainda seja ocupado por homens.

“Porém, vejo o aumento [da presença das mulheres] principalmente nos grandes centros. Hoje, atuo em uma cidade pequena e quase não encontro engenheiras. Então, sei que temos muito mercado ainda para conquistar”, avalia a profissional, que se considera respeitada pelos colegas homens, ao mesmo tempo em que confessa ter que enfrentar algumas dificuldades em virtude de ser mulher.

“Embora exista sim muito respeito, algumas vezes sinto, por exemplo, que preciso pedir mais de uma vez para que algo seja feito, em comparação a quando um colega homem pede. Percebo também que, quando as pessoas envolvidas têm um grau de escolaridade maior, é mais fácil de aceitar a ordem vindo de uma mulher”, analisa.

Outro aspecto em que ela já vê evolução é na avaliação, muitas vezes, negativa feita das qualidades femininas, que levam as mulheres a “esconderem” tais características a fim de ganhar o devido respeito ou serem levadas a sério.

Jaqueline Pelloso, engenheira civil | Foto: Arquivo pessoal
Jaqueline Pelloso, engenheira civil | Foto: Arquivo pessoal

“Logo no início da minha carreira, procurava me vestir de maneira mais social e usava algumas maquiagens mais pesadas para parecer mais velha. Por outro lado, sempre fui uma pessoa muito criativa e esse lado nem sempre é associado a um engenheiro. Por isso, procurava deixar esse meu aspecto longe do trabalho. Atualmente, já não sinto a necessidade de esconder nada. E acredito que isso depende muito do ambiente de trabalho, não estando relacionado somente à profissão”, afirma, enquanto exibe mechas do cabelo coloridas e se sente mais motivada conforme conquista seu espaço.

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